A Produção de alimentos : uma questão de saúde

Linda Eloáh, Isabella Zabludowski, Clara Tapigliani, Lucas Alano, João Vieira, Luiza Kifer

Professor orientador : Vinicius Ferreira (GEOGRAFIA)

Rio de Janeiro, 2021

Resumo

Estamos aqui para falar sobre algo árduo. Como sabemos, os defensivos químicos agrícolas são um importante insumo para a agricultura. Em 2010 eles atingiram um valor de vendas de US $7,3 bilhões no Brasil, o que corresponde a cerca de 7% do total das vendas de produtos da agropecuária brasileira.  Neste estudo, podemos ver que a grande maioria dos alimentos que consumimos em nosso cotidiano tem em sua produção o auxílio dos agrotóxicos. Em média, cada brasileiro consome cerca de 5,2 litros de agrotóxico por ano, uma substância que nos mata aos poucos, nos pratos de cada família brasileira. Estaríamos nós consumindo veneno? Até quando iremos tolerar isso? Este artigo visa indicar os problemas da cadeia de produção de alimentos,  sobre como eles são produzidos, sobre o uso de defensivos químicos e sobre como podemos mudar este cenário.

A ignorância é a maior enfermidade do gênero humano.”

– Cícero

Introdução – Brasil e o consumo de defensivos químicos

Defensivos químicos ou agrotóxicos, na forma mais popular do termo, são produtos da indústria química, artificiais, usados na agricultura com fins de combate a pragas (insetos, fungos, ervas daninhas, entre outros).

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos em termos de volume. Os agricultores brasileiros usam cerca de ⅕ de todo agrotóxico usado no mundo. E qual o porquê deste cenário? Isso acontece, pois o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de soja, açúcar, cana, café e tabaco, então precisam ter uma produtividade elevada e regular, porém, a que custo?

Apesar de aparentemente estarmos falando de alimento, nós não estamos mais falando sobre alimento em si, mas sim sobre algo excêntrico para nós mesmos. As exportações que ,aparentemente, são de alimentos, não são mais alimentos em si. Nossa sociedade moderna tem transformado os alimentos em algo estranho à própria alimentação, a agroenergia – que pode ser definida como uma necessidade crescente de energia, como insumo para o desenvolvimento de nossa sociedade, cada vez mais crescente e se aproveitando dos recursos naturais, ou seja, alimentos tornaram-se  commodities.

As commodities são mercadorias que são padronizadas internacionalmente, podem ser estocadas e podem ser vendidas na bolsa de mercadoria no futuro. Então, caso um país exporte uma commodity, ele está exportando uma mercadoria como qualquer outra, logo seu valor de uso e sua potência de nutrição humana se transformam numa mercadoria qualquer. Ela perde seu valor de uso, pois como existem diversas outras mercadorias de igual valor, ela se transforma em uma mercadoria normal, sem ter tanto valor. Então essa transformação do alimento, em produtos estranhos à própria alimentação, nos ajuda a entender o uso de agrotóxicos no mundo e, principalmente, no Brasil.

Estamos sofrendo um problema de segurança alimentar, o que está na raiz dos agrotóxicos no Brasil, e é justamente a transmutação do alimento em commodity e em agroenergia. O Brasil em apenas 5 anos cresceu 25% no uso de agrotóxicos, e isso tem um rebatimento tremendo na saúde humana. No mapa abaixo, podemos ver a estatística de pessoas intoxicadas por agrotóxico no país:

Dados sobre pessoas intoxicadas por agrotóxicos nas regiões do brasileiras. Percebemos que o estado de Minas Gerais é o maior afetado pela intoxicação por agrotóxicos.

Em termos numéricos, em um período de 10 anos, foram mais de 40.000 pessoas intoxicadas por agrotóxicos por dia, isso, em média, é uma intoxicação de 10 pessoas por dia.  

Porém, de acordo com o Ministério da Saúde, eles não souberam (tiveram parcela desconhecida) de pessoas intoxicadas pelos agrotóxicos. Entretanto, podemos ver em média que são 50 pessoas por dia, além das 10 pessoas intoxicadas. Isso em média, em 10 anos, ultrapassa a casa dos milhões.

Podemos considerar a produção de alimentos como necessidade básica para nossa sobrevivência. Não podemos sobreviver sem nos alimentarmos, é um problema que se torna mais difícil e exige soluções com maior envergadura. Em sua maior parte, esse problema é gerado pela tendência das pessoas se concentrarem em densos agrupamentos das grandes cidades, cujos dois maiores objetivos são as atividades industrial e comercial.

Estes grandes centros necessitam importar das zonas agropecuárias todos os alimentos de que precisam, e isso em quantidades fantásticas. As zonas de produção agropecuária, para atender o grande consumo urbano e obter maior índice de lucro, passam a industrializar sua produção, empregando enormes quantidades de fertilizantes químicos e inseticidas.

Tal prática é extremamente nociva em dois sentidos: prejudica sensivelmente o equilíbrio ecológico e expõe o consumidor a taxas elevadas de toxicidade. Já se constatou a presença de inseticidas, como o DDT (um dos primeiros pesticidas modernos) em pessoas e no leite de vaca. Isto quer dizer que as populações estão sendo envenenadas lentamente, através da absorção de produtos químicos de que os alimentos estão impregnados.

A solução estaria na prática natural da agricultura, porém em bases científicas para manter a produção em níveis compatíveis com as exigências do consumo. Os fertilizantes seriam somente naturais, tecnicamente balanceados conforme as necessidades do solo.

Produção dos alimentos e formas de produção

O Brasil desempenha um papel importante na produção de alimentos e na conservação da natureza. Somos o 5º maior país do mundo, com 850 milhões de hectares, dos quais 63% é composta de vegetação natural. O país é atualmente o maior produtor de açúcar, café e suco de laranja e o maior exportador de carne bovina e soja. A dinâmica de produção de alimentos em escala mundial está profundamente ligada a questões ambientais, na medida que envolve aspectos com o uso do solo em plantações e para a criação de animais.

A agropecuária é  o conjunto de atividades e técnicas relacionadas ao cultivo de terra e à criação de animais, praticadas pelo agricultor ou lavrador. Sua importância está em fornecer alimentos e muitos materiais necessários à sobrevivência humana. Dentre os principais produtos alimentícios estão as frutas, as verduras, os legumes, os cereais, a carne, os derivados do leite e ovos, que são alguns dos produtos alimentícios de origem animal mais comuns.

No passado, as pessoas usavam ferramentas rudimentares manuais e animais para ajudá-las a plantar e colher. Atualmente as culturas crescem em grandes lotes de terra com a ajuda da irrigação e de produtos químicos.                                                                                                                                         A agricultura convencional é o modo agrícola mais difundido por todo o Brasil para plantações de larga escala (latifúndios), onde existe muita produtividade com uso de máquinas com uso de agrotóxicos em larga escala e com baixa preocupação ambiental.

Em contrapartida, temos a agricultura orgânica que é o “oposto” da agricultura convencional, em que o processo produtivo é comprometido com um sistema sustentável agrícola, pois não são permitidos usos de produtos químicos sintéticos que são prejudiciais para a saúde humana e o meio ambiente.  

Certo, temos dois modelos agrícolas de produção com seus prós e contras. A agricultura orgânica pode não ser prejudicial ao ambiente, porém existe “pouca produtividade”, em que muitas das plantações podem se perder por meio de pragas. Já no modelo convencional existe grande produtividade, porém prejudica o meio ambiente e intoxica as pessoas com os produtos químicos sintéticos.

Uma forma agrícola que é uma forma semelhante à agricultura orgânica, e provavelmente uma forma superior a todas as outras, é a agricultura biodinâmica criada por Rudolf Steiner (1861-1925). A Agricultura Biodinâmica é um modelo de produção agrícola, que assim como na Agricultura Orgânica, não se utiliza adubos químicos, venenos herbicidas, sementes transgênicas, antibióticos ou hormônios. Todos os insumos utilizados na agricultura biodinâmica são produzidos a partir de substâncias minerais e vegetais, tendo a principal intenção de usar fontes naturais que mantenham o solo equilibrado, sem causar impactos ou prejuízos derivados de produtos químicos. Podemos combater as pragas com o controle biológico, onde se utiliza um organismo vivo para controlar e matar as pragas, o controle biológico não representa nenhum risco ao meio ambiente ou as pessoas.

De acordo com nossas pesquisas, uma forma ideal de controle, onde não representasse riscos à saúde humana ou ao meio ambiente, seria a agricultura biodinâmica junto com o controle biológico. Podem ser técnicas menos produtivas e que não eliminam totalmente as pragas, porém é a maneira mais politicamente correta, e a que menos traz riscos a nossa saúde.

Contudo, essa pode não ser a solução para nosso problema no imediato. Sendo assim, para aprofundarmos mais, a humanidade precisa investir nos estudos de agroecologia, um método de estudo agrícola dentro de uma perspectiva ecológica, como forma de conhecimento que pretende superar os danos causados à biodiversidade e à sociedade como um todo.

Considerações finais

Na produção deste artigo, não se pode  deixar de dizer que sentimos certa dúvida em como retratar alguns assuntos, peças textuais que já não se encaixavam na proposta que estávamos trazendo, elementos tão densos que tornariam o documento absurdamente grande, em que ficaria algo maçante e desconexo. E este é um dos principais problemas, a grande produção de alimentos e seus defensivos químicos, são uma ravina densa e gosmenta, existem diversos pontos que não conseguimos ressaltar aqui, que poderão mais para frente, ser palco de mais uma de nossas pesquisas.

Nossa saúde biológica está em risco, precisamos investir em agroecologia urgentemente e ter uma nova perspectiva ecológica de produção.  Entendemos que o sistema precisa ter uma produção acirrada e quase como “instantânea”, porém a que custo? E também entendemos que existem pessoas de situação paupérrimas, onde suas condições são de extrema pobreza, e não teriam como comprar alimentos “orgânicos”.  

O Brasil compõe atitudes duvidosas na questão sobre licenciamento de inseticidas. Para termos noção, o Brasil apenas em 2020 conseguiu licenciamento de 493 tipos diferentes de agrotóxicos. É importante ressaltar que em outras nações a maioria desses agrotóxicos licenciados são taxados como perigosos à saúde humana. Por isso, ressaltamos mais uma vez, precisamos investir na agroecologia, ter uma perspectiva ecológica sustentável, descobrir novas formas de produção agrícola. E, acima de tudo, precisamos informar as pessoas sobre o tema. É dado que ⅓ da população não tem consciência que os agrotóxicos são nocivos a saúde humana. Como vimos, os agricultores, em que seu ofício é ter contato direto com inseticidas químicos, são em grande parcela, intoxicados por esses defensivos agrícolas.  Nos antigos gráficos, eles mostravam a população com um médio nível de contaminação por “DDT”, um composto químico utilizado para inibir insetos da MALÁRIA E DENGUE, um inseticida de tal porte, que estava em nossos pratos a pouco tempo, que teve seu uso proibido.

Pela observação de todos os aspectos apresentados, este trabalho foi instrumento de divulgação de conhecimentos para promoção da consciência do que as pessoas estão colocando em suas mesas e de uma pequena parte da produção alimentícia.  Quando possível, aprofundaremos e apresentaremos mais pesquisas e informações acerca da alimentação e produção de alimentos no Brasil.

 Referências Bibliográficas

https://www.archdaily.com.br/br/954147/o-que-e-agricultura-urbana

https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/recursos/AgrobCap8ID-pnzxpPBUJz.pdf

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57209799